Inspiração Voluntariado

No Congós, projeto social para crianças nasce na cozinha de um militar da reserva

Por Joyce Batista

 

Aulas de karatê estão ajudando 12 crianças do bairro Congós, na zona sul de Macapá, a ter uma vida mais saudável. O Projeto Vida e Saúde nasceu após José Ronaldo de Souza Martins, um militar da reserva de 54 anos, observar ao longo de sua carreira no Corpo de Bombeiros que as crianças amapaenses estavam acima do peso adequado e tendo graves problemas de saúde.

Alunos dividem o espaço da cozinha do professor

As aulas acontecem desde o ano passado, três vezes por semana nos fundos da casa de Ronaldo, onde ele e os alunos dividem espaço com a cozinha. Além da atividade física, o projeto oferta orientações sobre alimentação, cuidados com a saúde e noções de valores morais. Durante 1h e meia de aula, as crianças também são ensinadas a ficar longe das drogas.

“Durante minha carreira, eu observei que a gente passou a atender crianças desmaiando, passando mal. Observamos ainda que essas crianças estavam com o peso acima do normal para a sua idade, usando roupas apertadas e não praticando atividades físicas. Então, quando surgiu a oportunidade nós trouxemos o esporte para essas crianças e agora a garotada está ganhando saúde e ficando longe das doenças, do hospital e da farmácia”, contou o professor.

O empenho de Ronaldo Martins tem resultado não só na melhora na qualidade de vida e no comportamento dos alunos em casa e na escola, mas também tem acendido a chama do amor pela carreira profissional no karatê. Recentemente, quatro crianças do Projeto Vida e Saúde viajaram para competir em Belém (PA) e voltaram com cinco premiações.

“Não tem preço que pague ver as crianças crescendo no esporte. Os alunos que passaram pelo projeto são gratos e é essa gratidão que faz valer a pena a gente ter se esforçado para ajudar eles e nos faz querer continuar a atender aqueles que estão chegando. Eu costumo dizer que eu ganho junto com eles porque eu mantenho meu peso regular e a saúde em dia, porque na minha idade é preciso ter muito mais cautela com a saúde”, acrescenta.

Ainda segundo Ronaldo, os alunos também precisam de apoio familiar para a sua evolução no esporte e seu crescimento saudável. Maria das Dores Pinto de Oliveira, de 53 anos, sabe muito bem disso e não mediu esforços para que a neta Rita de Cássia Mendes entrasse no projeto, o que aconteceu há cerca de uma semana.

As aulas vão além do karatê, ensinando aos alunos sobre civismo e moral

“Eu trouxe a Rita para cá porque ela tem aquele “querer” em aprender.    Ela também é muito ativa e para mim é importante ela usar isso para aprender algo. A essa hora lá em casa, de tarde, ela não tinha ocupação nenhuma e mesmo a gente não tem muitas condições, estamos nos esforçando para trazer ela porque temos que fazer de tudo pelos nossos, para evitar as coisas ruins desse mundo”, disse Maria.

Desafios

Mesmo contando vitórias desde o início, o projeto enfrenta dificuldades para a compra de roupas e equipamentos adequados para as crianças, tanto nos treinos quanto nas competições.

“Nossa maior dificuldade é com a compra de roupas próprias para o esporte e as proteções para levar nas competições. Só para se ter uma ideia, um kimono custa cerca de R$ 80, no mínimo, fora a faixa e os outros equipamentos. Quando nós temos condições, passamos o que temos para eles, mas a gente precisa de patrocinadores, de pessoas que queiram ajudar o esporte amapaense”, afirmou Ronaldo.

Os interessados em conhecer ou ajudar a iniciativa podem entrar em contato com o coordenador do projeto através do telefone (96) 99114-5116.

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