Saúde Voluntariado

Adolescentes criam rede contra depressão nas escolas e buscam ajuda de profissionais voluntários em Macapá

Por: Joice Batista

Os altos índices de depressão e outros transtornos que podem levar ao suicídio têm desencadeado diversas ações de combate a esses males no Amapá. Uma delas nasceu da iniciativa de 14 estudantes da escola Gabriel de Almeida Café, que criaram um projeto para ajudar adolescentes e jovens a lidarem com seus problemas e emoções.

O projeto “Ei, amigo!” atende através de ligações telefônicas e mensagens virtuais, proporcionando um espaço de desabafo e amparo. É uma espécie de rede de escuta aos jovens, tudo sob a supervisão de dois psicólogos. Nos casos mais graves, os atendidos são encaminhados para consulta diretamente com esses profissionais.

“A gente vem percebendo muitos casos de suicídio, com casos também na nossa escola. Então, percebemos que poderíamos fazer alguma coisa, nos unirmos para tentar mudar esse quadro. Foi quando criamos o projeto “Ei, amigo!”. A princípio era para atuar na nossa escola, mas como estamos somente no espaço virtual, acabamos expandindo o atendimento”, afirmou Lohan Bacelar Medeiros, de 17 anos.

Segundo os estudantes, mesmo com tantos casos de transtornos na adolescência, a escola ainda não está preparada para lidar com esses problemas. Por isso, eles estão se articulando para conseguir um espaço físico para o projeto dentro da instituição, para desenvolver as conversas e outros tipos de atividades.

“Nós ajudamos mais nessa parte de ouvir o desabafo das pessoas, tem gente que só precisa de uma conversa para se sentir melhor e estamos ali para isso. Infelizmente, nós não vemos muito esse tipo de apoio dentro das escolas. Pouquíssimas escolas têm psicopedagogos e quando têm, eles não ficam dentro da escola para trabalhar nos casos efetivamente. A ideia do nosso projeto também não é só tratar o suicídio em um dia como fazem no ‘Setembro Amarelo’, mas gradativamente durante o ano todo”, contou Nathalia Souza, de 17 anos.

Além da escuta, o grupo realiza o “Dia do Abraço” pelo menos uma vez na semana dentro da escola, como forma de espalhar afeto, acolhimento e motivação entre os jovens.

“Os casos de suicídio serviram para nos que inspirar a montar o projeto, mas não queremos mais ver pessoas sentindo essa dor tão grande a ponto de tirar a própria vida. Com a existência do projeto, eu sinto que estamos realmente ajudando”, disse Emanuelly Dias Coelho, de 16 anos.

Como ajudar?

Futuramente, o grupo também pretende expandir a iniciativa para outras escolas, mas para que isso aconteça é necessário mais apoio, tanto de estudantes voluntários quanto de profissionais.

“Iniciamos o projeto porque queríamos ajudar as pessoas e se alguém tiver interesse no projeto, nos procure, pois além de nos ajudar, vai fazer o bem para outras pessoas também”, disse Nathalia. “O projeto não pode crescer sozinho. Então, se também houver profissionais dispostos a somar conosco,  nos procure que vai ser de grande ajuda”, completou Lohan.

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