Inspiração

Amapaense constrói jardim em homenagem à Marielle Franco

Por Joyce Batista

Como o eco de uma voz que tentaram calar, homenagens à Marielle Franco não param de surgir Brasil afora, mesmo após mais de um ano de sua morte. A vida e as lutas sociais da vereadora do Rio de Janeiro assassinada em março do ano passado – ao que tudo indica por questões políticas -, foram lembradas por um advogado amapaense, que construiu um pequeno jardim em frente ao seu escritório e o batizou com o nome da ativista.

O jardim começou a ser montado através de um hobby de Ruben Bemerguy, mas a ideia de homenagear Marielle surgiu após a morte da vereadora e as constantes tensões no cenário político do país.

No local, o advogado de 57 anos expressa sua paixão por plantas e jardins, ao mesmo tempo em que ele se posiciona politicamente de forma pública.

“Cada um tem um hobby na vida e o meu é jardim, mas eu também quis me apresentar como uma pessoa que não concorda com tudo o que está acontecendo, e nada mais simbólico do que expressar isso em uma homenagem a uma mulher negra, lésbica, favelada e eleita vereadora, mas covardemente assassinada. Eu acho que esse é um símbolo, um ícone do cenário político brasileiro na atualidade, por isso nominei o jardim como Marielle Franco”, contou Ruben.

O jardim/homenagem está na área central de Macapá e segundo o advogado, apesar de ficar em frente ao seu local de trabalho, o jardim nunca trouxe prejuízos ou desentendimentos com sócios e clientes. Afinal, assim como os advogados, Marielle defendia direitos.

O pequeno e simples espaço exala criatividade, bom gosto e contagia quem o visita, com algumas espécies de plantas e peixes. Também há uma escultura representando Marielle e uma placa em sua homenagem, além de outras expressões artísticas por todo o ambiente, tudo pensado e executado por Ruben com apoio de sua esposa, a arquiteta Márcia Danieli.

Outras homenagens

O espaço atrás do escritório também é dedicado às plantas, peixes e à arte, com uma decoração quase que totalmente reaproveitada de objetos que provavelmente iriam para o lixo.

 

De acordo com o advogado, jardins nunca estão terminados. Por isso, a próxima etapa de seu projeto é ampliar o jardim e homenagear figuras importantes para a sociedade amapaense e para a sua vida pessoal.

“Esse trabalho é extremamente pessoal, tanto que está um pedaço de mim aqui nesse jardim. Eu pretendo passar para o outro lado ali e fazer o “Jardim dos meus Justos”, pessoas do Amapá que eu acho que mereciam reconhecimento público, hoje desconhecidas do meio político, mas que são ou foram importantes para o estado e para mim. Precisamos conhecer essas figuras porque se não o amapaense cresce e passa a valorizar somente os de fora, que nos tratam como colonizados, como menores”, disse.

Caso Marielle

O assassinato de Marielle Franco e de seu motorista ocorreu em 14 de março de 2018 e parece estar próximo de ser solucionado. No início de março deste ano, dois militares foram presos e apontados como envolvidos no crime pela Polícia Civil e Ministério Público. Um deles é o sargento reformado da PM Ronnie Lessa e o segundo suspeito é o ex-PM Élcio de Queiroz.

As investigações agora seguem uma segunda fase, em busca da identidade do mandante do crime. Marielle cumpria seu primeiro mandato como vereadora do estado do Rio de Janeiro, mas além de parlamentar ela era socióloga, militante política e mãe.

Marcelle Nunes

Jornalista, amapaense, irmãe, sagitariana com ascendente em gêmeos e - talvez por isso - naturalmente faladeira.

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