Adoção Responsabilidade Social

Crianças aguardam por adoção e apadrinhamento no abrigo Ciã Katuá, em Macapá  

Por: Joyce Batista

Enquanto esperam que adultos decidam os próximos rumos de suas vidas, quase três dezenas de crianças vivem na Casa-abrigo Ciã Katuá, um refúgio provisório para as lutas sociais prematuras que são obrigadas a enfrentar. 

 

 Pioneiros no acolhimento de menores em situação de risco social no Amapá, a instituição trabalha para que os danos físicos e psicológicos da violência sejam reduzidos e para que cada criança siga seu caminho de forma saudável.

Existente desde 1991, o abrigo Ciã Katuá – que significa “menina bonita” em tupi guarani- recebe crianças de 0 a 12 anos incompletos em medida protetiva, encaminhadas pela justiça amapaense, onde ficam até que novas decisões sejam tomadas, como a volta da criança para a família ou o encaminhamento da mesma para a fila de adoção.

~ Pelo fato de estarem em medida protetiva, a identidade e o histórico de cada menor deve permanecer em sigilo e por isso não podemos reportá-las nesta matéria. ~

Estivemos lá!

Em uma tarde em que visitamos o local, as crianças brincavam e se divertiam como qualquer outra de fora daqueles muros, parecendo esquecer por um instante o passado de turbulências e a incerteza de seus futuros.

“Nenhuma criança deveria vir para o abrigo, mas aqui a gente acolhe muito bem elas e procuramos acompanhar da melhor forma possível. Elas mudam enquanto estão aqui, a gente vê melhora na pele, no peso, no humor…”, conta Antônia Gama, diretora do Ciã Katuá.

Hoje elas vivem em uma casa alugada na principal rua da capital e são acolhidas por uma equipe técnica de 35 pessoas (entre psicólogos, nutricionistas, pedagogos, assistentes sociais, educadores e outros). A instituição sempre teve muita dificuldade em termos de estrutura e nunca teve uma sede, passando por diversos lugares nesses 27 anos, e inclusive, já se prepara para uma nova mudança.

Ainda assim, as crianças possuem uma vida mais saudável, seguindo uma rotina pré-estabelecida e tendo alimentação adequada, além de todo o suporte necessário para a permanência temporária de cada uma delas, conforme informou a equipe do abrigo.

 “Muitas crianças são carentes de tudo. As vezes elas chegam aqui com um olhar triste, vazio e com o tempo, com todo o nosso trabalho, eles melhoram”, disse Diana Sacramento de Souza, assistente social da instituição.

Apesar de todo o esforço dos gestores do Ciã Katuá, a necessidade de um lar é reconhecida. “Nós trabalhamos para o bem estar delas, mas a gente sabe que elas precisam de um lar, de uma referência na vida”, frisou Antônia Gama.

Adoção e Apadrinhamento

Algumas crianças no abrigo estão disponíveis para a adoção. Assim, os interessados podem procurar a casa e se informar sobre as normas e exigências para a adoção legal.

Nem todas elas podem ser adotadas, mas é possível “apadrinhar” as crianças. O apadrinhamento permite que o menor passe algum tempo com os padrinhos como em datas comemorativas, fins de ano e de semana, além de feriados, sem implicar qualquer vínculo jurídico. Uma garantia de amor experimentado e real.

Doações

Desde sua criação, a casa é gerida pelo governo estadual, mas também recebe colaborações externas. Por isso, se há interesse em realizar doações, visitas e apoio ao trabalho da casa, basta comparecer ao abrigo, localizado na Av. Fab, 1019 B – Centro. A instituição está aberta ao público de segunda a sexta (exceto feriados), das 8h às 18h.

 

Marcelle Nunes

Jornalista, amapaense, irmãe, sagitariana com ascendente em gêmeos e - talvez por isso - naturalmente faladeira.

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