Inclusão

Amor e resistência marcam celebração de casamento comunitário homoafetivo no Amapá

Por Joyce Batista

Um casamento comunitário voltado ao público LGBT celebrou o amor de 10 casais em uma cerimônia realizada na sexta-feira, 22, no Museu Sacaca, em Macapá. Além de celebrar o amor que resiste mesmo em tempos sombrios, o objetivo foi oportunizar de forma mais acessível, um direito que até pouco tempo atrás era negado.

 

O evento foi o resultado de uma parceria entre o Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), UNALGBT, Conselho Estadual de Direitos da População LGBT (CelLGBT) e da Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB/AP, que arcaram com custos cartoriais e demais estruturas.

A cerimônia foi conduzida pela magistrada Elayne Cantuária, que atuou como juíza de paz e neste ato também representou a presidência do Tjap.

Essa foi a segunda vez que um casamento coletivo voltado ao público LGBT foi realizado na capital amapaense. Os casais participantes atenderam ao chamado público dos órgãos em novembro do ano passado.

“É a realização de uma garantia de direitos no meio de um retrocesso político em que vivemos e é uma grande satisfação proporcionar esse evento para os casais, além de mostrar para sociedade que existe amor e que todos nós merecemos respeito”, afirmou Jaqueline Brandão, presidente do CelLGBT.

Alaíde Moraes e Glay Ribeiro, de 33 e 45 anos são exemplo desse amor oficializado. Elas se conheceram através de uma rede social há cinco anos e estão juntas desde então, agora como mães de três meninas. Segundo elas, o casamento era o que faltava para a felicidade ficar completa.

“Estamos muito felizes com tudo que está acontecendo. Eu acho que o momento não poderia ser melhor, temos nossas filhas e só faltava mesmo oficializar porque a família já está formada”, conta Alaíde.

Pablo Rodrigues e Rômulo Cambraia também aproveitaram a oportunidade do casamento comunitário. Assim como Alaíde e Glay, eles se conheceram pela internet e estão juntos há cerca de cinco anos, além de já possuírem uma filha.

“A gente viu que nesse momento, principalmente político, era importante aproveitar a oportunidade não só porque ficaríamos livres das taxas, mas para mostrar que o público LGBT, de mãos dadas, pode romper barreiras e resistir. Então, mais do que a confirmação do nosso amor, é um ato político e de bravura”, frisou Rômulo.

Sabendo da importância da união matrimonial do público LGBT, Jaqueline Brandão divulga que outras edições do casamento comunitário dependem da procura dos casais. Por isso, os interessados na iniciativa podem procurar mais informações nas páginas UNALGBT e CelLGBT, no Facebook.

(Fotos Philippe Gomes / Secom e Tribunal de Justiça do Amapá)

Marcelle Nunes

Jornalista, amapaense, irmãe, sagitariana com ascendente em gêmeos e - talvez por isso - naturalmente faladeira.

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