ONGs Solidariedade

A empatia que aquece as ruas de Macapá na madrugada

Por: Joice Batista

Na calmaria da noite, enquanto a
maior parte da cidade dorme, voluntários do projeto “Resgate de Vidas” percorrem
ruas e hospitais levando o amor ao próximo. Com porções de sopa, conversas,
abraços e orações, eles têm feito a diferença na vida de quem pede por socorro,
mesmo que silenciosamente.
O trabalho desenvolvido há seis
anos acontece todas as terças-feiras e inicia com uma concentração dos
voluntários na Igreja Batista Memorial, no centro de Macapá. Após a reunião,
eles traçam um percurso passando pelo Hospital de Emergência, Hospital de
Clínicas Alberto Lima e toda a Orla e o centro de Macapá, onde está a maior
parte do público-alvo do projeto.
Nos hospitais, as pessoas
atendidas são acompanhantes e alguns pacientes, que além do alimento, recebem
apoio religioso e a amizade dos voluntários. Já os moradores de rua e
dependentes químicos recebem um pouco mais de atenção, pois suas necessidades
são maiores. Ao todo, são atendidas cerca de 200 pessoas por noite.
“Esse trabalho contribui de forma
positiva principalmente para a autoestima. A gente consegue impulsionar eles
por mais uma semana simplesmente dando atenção. Essas pessoas querem ser
ouvidas e é muito difícil alguém parar para conversar com os dependentes
químicos. Então, quando alguém faz isso, já é muito mais do que dar dinheiro,
roupa ou alimentação. Isso conta muito para eles”, disse o coordenador do
Resgate de Vidas, Paulo Melo.
O atendimento do projeto ainda
vai além. Dependendo da vontade do usuário e a gravidade da situação, os
dependentes químicos são encaminhados para casas de apoio parceiras, onde a
dependência é tratada.
Para Paulo, os benefícios do
projeto vão além de apenas um momento de solidariedade. “Uma vez a gente ouviu ‘vocês
nos trazem a esperança de um dia melhor’. Quando você escuta isso, é impossível
ficar em casa. O trabalho não tem nada de extraordinário, mas a gente cria
vínculos, a gente se trata pelo nome e eles têm um respeito muito grande com a
gente”, contou.
O projeto
O Resgate de Vidas nasceu em
novembro de 2011 em uma “célula” (reunião religiosa em lares de apoiadores) da
Igreja Batista em Macapá. O grupo sentia necessidade de fazer algo fora da
igreja, que levasse o evangelho para mais pessoas ao mesmo tempo em que
oferecesse apoio psicossocial a quem precisa.
Atualmente, são cerca de 100
membros atuando, sendo que alguns são ex-usuários de drogas que foram atendidos
pelo projeto e hoje retribuem fazendo o mesmo pelo próximo.
Doações e voluntariado
Apesar do trabalho consolidado, a
iniciativa é independente e precisa de apoio constante. O grupo pede a doação
principalmente de materiais descartáveis como copos, colheres e lenços.
A sopa servida em cada ação é
doada por duas empresas, sendo que cada uma doa uma panela com o alimento. A
quantidade tem sido suficiente para atender a demanda, mas caso haja mais
doações, é possível que mais pessoas sejam alcançadas em outras partes da
cidade.
O projeto também é aberto ao
voluntariado, sem qualquer tipo de restrição. “Qualquer pessoa que tenha
disponibilidade de tempo e o desejo no coração de servir seu próximo, será bem vinda
ao projeto”, afirmou o coordenador do projeto.
Além disso, o Resgate de Vidas
tem uma grande dificuldade com o transporte de voluntários, feito atualmente nos
veículos dos próprios membros. Por isso, uma “vaquinha” online foi criada para
a compra de uma Van ou Kombi. Para doar, basta acessar vakinha.com.br/vaquinha/kombi-solidaria-transportando-o-bem.
Pessoas interessadas em conhecer
o projeto e fazer essas doações, também podem entrar em contato com o projeto
através do telefone (96) 99111-5126 ou da página na rede social facebook.com/PojetoResgate/.
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