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A nova música amapaense vem da foz do Rio Mazagão

Por Joice Batista



Da
foz do Rio Mazagão Velho o som das flautas, cordas e coral gradativamente tem
se sobressaído sobre o ruído social da prostituição, o uso de drogas e de álcool
pelos jovens e adolescentes da região.

Um
projeto está mudando a rotina e a vida dessas comunidades localizadas a cerca de 71Km da capital amapaense.
Lá, o “Música Para Ribeirinhos” atende
54 pessoas de sete comunidades, desde o ano passado.

Quem dá o tom da iniciativa é o músico Leonardo Barros, de 42 anos. Morando em Macapá
e há 19 anos no mundo da música, ele visitava amigos na comunidade e se viu
preocupado com o risco social que o local apresentava aos adolescentes. 
Determinado
a mudar as perspectivas de futuro dos ribeirinhos, o músico decidiu que usaria
seus conhecimentos para isso. Desde o início do projeto, Leonardo é o único
voluntário; e todos os sábados, ele sai de Macapá e vai até Mazagão Velho para
dar aulas de flauta doce, violão, teclado, e contrabaixo elétrico.
A iniciativa não tem apoio político ou governamental. As aulas acontecem na Escola
Leandro Plácido, de forma gratuita, assim como os instrumentos e materiais de
ensino, motivo de orgulho para o professor. “Não pagam nada. Ganham cadernos,
lápis, instrumentos. Todos com recursos próprios e de eventos que fazemos”,
diz.
Além
de aprender a teoria e a prática dos instrumentos, os alunos são ensinados
sobre cidadania e valores sociais, como forma de ocupar os jovens e os tirar de
situação de risco. “Nossa preocupação também é orientar e ocupar o jovem para
que assim eles possam ter uma visão e direcionamento de tudo”, conta Leonardo
Barros.
Alice
Ferreira é sobrinha de Leonardo e também apoia as aulas juntamente com o
marido, Sharly Ferreira. “O projeto faz um acompanhamento muito importante.
Quando a pessoa está ociosa, fica mais fácil de fazer coisa errada, e vem também com esse objetivo de tirar as pessoas de situação de risco e mostrar
que existe outra atividade, existe algo muito bacana que é o ensino da música”.
Os
pais dos alunos também são convidados a acompanhar o desempenho dos seus
filhos, assim como o projeto obtém um feedback
acerca da postura e comportamento dos alunos fora da escola. E, felizmente,
o resultado tem sido positivo. “As mães falam sobre as mudanças de seus filhos e afirmam
sua melhora”, diz o músico.
E
falando delas, as mães dos alunos também são contempladas pelas oficinas.
Especialmente para elas, são realizados eventos de embelezamento, cuidados com
a pele, além de culinária e outros assuntos em que elas mostram interesse.
Leonardo,
que tem se esforçado para manter o projeto ativo, fala da sua motivação: o
amor. “Amo todos eles, amo a comunidade, ribeirinhos são minha paixão!”,
desabafa o professor transparecendo orgulho e emoção.
Você
que se interessou em conhecer o Música Para Ribeirinhos, pode entrar em contado com o Leonardo
Barros, através do telefone: (96) 98121-7634.

Camila Ramos

Jornalista e profissional de marketing tentando inspirar no mundo um pouco mais de empatia e solidariedade.

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